Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Surpresas da Universidade

Vivemos num mundo surpreendente. Moro na Galiza, vou a uma Faculdade baptizada em galego fazendo uma carreira de nome galego... e tenho todas as aulas em castelhano (espanhol para os galizaceives). Ou seja, diversos políticos do Pp (mesmo do psoE) queixam-se do retrocesso que está a sofrer a língua de Cervantes, e eu sem poder fazer a minha carreira em galego. Surpreendente.

Estava com um companheiro a aguardar polo professor de práticas duma cadeira de programação, quando vemos entrar o indivíduo em questão: um homem novinho, arredor de vinte e muitos ou trinta anos. Temos nós uma terra estranha, onde te afás lenta mas inexoravelmente a certos costumes forçosos. O meu companheiro e eu pensámos (ou dimos por facto) que o homem ia falar castelhano. Eis uma situação estranha: não o fizo. Falou em galego.

A cousa perde força se comento que, cada vez que este professor abre a boca, Rosalia, Pondal, Curros e o resto da família dão voltas na tumba. É mais: o Panteón de Gallegos Ilustres deve de ter os cimentos desgastados polo movimento dos defuntos que lá ficam.

De qualquer jeito, não deixa de ter mérito que um rapaz novo, pudendo passar olimpicamente (comportamento maioritário), faga o esforço de se exprimir na língua da nossa terra. E tem mérito polo comportamento dos seus companheiros do professorado. Podes perceber em apenas uns minutos se uma pessoa é galega, embora fale castelhano, por certas particularidades do portunhol ou castrapo que a maioria ignora falar. Os típicos fuera, comiera, tengo ido, tienes visto... delatam uma pessoa com um forte substrato cultural galego a tentar exprimir-se em castelhano. Obviamente sem o conseguir totalmente. Aplicando esta análise à língua dos meus professores decato-me de que a imensa maioria som galegos... que falam portunhol.

Aguardo pacientemente que mude a situação.

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