Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Nazón de Breogán??

Temos uma classe política que parece um circo... enchido de palhaços. Levo desde criança a ouvir críticas contra os nacionalismos, assim, em geral, porque -segundo os críticos, claro- baseiam os seus projectos em mitos nacionais de tempos imemoriais, sem base científica, sem argumentos não étnicos ou excluintes. Muitos galegos levamos tempo (uns mais do que outros, claro) a tentar convencer a gente -e entre essa gente estes críticos- de que o nacionalismo galego não tem base étnica nem excluinte. Também não mítica, mas tem as suas raízes na tradição cultural e linguística. Tudo, penso eu, defendível com a boca bem grande fronte quem for.

Pois não vão os socioslistos e propõem meter no projecto de Estatuto a denominaçom de Nazón de Breogán? Hão-de ser bem paletos, gente. Décadas a criar uma forte base científica e rigorosa do nacionalismo galego para virem estes e dizer que no Estatuto figure Nazón... de Breogán? Então como cona defende um nacionalista galego que as suas ideias não se baseiam num passado mítico... se no próprio Estatuto galego vem claramente uma referência a um personagem mítico?

Mágoa é não estar ainda o glorioso ex-Presidente da Junta a governar. Seria a hóstia em verso vê-lo numa gala de investidura a soar o Hino com duas mil gaitas (já postos) e com o Estatuto aberto num atril, bem aberto pola página que dixer essa barbaridade. Um circo. Gabi, Fofó e Miliki não o poderiam ter feito melhor.

[...]
pois, onde quer, gigante
a nossa voz pregoa
a redenção da boa
nação de Breogão.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Rebelião

Foram ambos os dous pastar
A vaca, o touro, devagar
O touro sempre a abafalhar
A vaca dixo que está cansa

Trabalho arréu pra leite dar
Mas isto um dia vai finar
Levo já um tempo a me cansar
E vou deixar de ser tão mansa

A novela dixo não
Que viva a revolução!!

Um dia destes vou deixar
De vos dar cousas pra tomar
O leite agre vai estar
Não comereis os meus filhinhos

Não vai haver mais abstenção
Já é suficiente abnegação
Uma pequena aclaração
Podo morar co's meus vizinhos

A novela dixo não
Que viva a revolução!!

Tu, bravo touro, escuita bem
Que quede claro: são alguém
Estou já farta de desdém
E de sentir-me decaída

Que saibas que vou ir além
Do sentimento de fraquém
E não me vai parar ninguém
Quero viver a minha vida

A novela dixo não
Que viva a revolução!!

Arqueologia

Após inúmeras petições (trolaa...) vou fazer trabalhos de arqueologia nos meus velhos blogues para recuperar histórias passadas e pô-las aqui. Assim poderedes tirar-me os olhos do sítio, arrincar-me os miolos e cousas dessas. Tudo, obviamente, mediante crítica construtiva.

Deica outra.

Temas de Estado


O mapa da discórdia. O mapa do conflito. O mapa da Galiza.

Temos uns vizinhos (e uns irmãos, a ver que pensam) que têm ganas de guerra. O mapa que fica sobre estas linhas foi editado por certo partido político cujas ideias não calham bem entre o sector ultra-conservador do Reino. O mapa representa as comarcas da comunidade cultural, linguística e tradicionalmente galega, a Galiza. Não é nem por acaso um mapa oficial. É mais: a bandeira, o nome do País e os topónimos são não-oficiais. Pois, mesmo assim, há quem os acusa de anexionar.

Com o simples que é considerar este mapa como uma obra de cultura, de opinião -porque, insisto, não é oficial- ou apenas como uma proposta do que poderia chegar a ser a Galiza num futuro. Refiro-me ao seu estatuto legal, é claro. A Galiza é mesmo assim.

O que mais altera estes pseudo-periodistas é o mapa estar exposto em alguns centros galegos de ensino. Em princípio, não deveria supor problema nenhum se o responsável de o colocar à vista explica o que este significa: a Galiza não é o que está na Comunidade Autónoma de Galicia. Vai além dessas fronteiras traçadas ao acaso sobre um mapa em 1981, baseados estes noutra chafalhada ainda melhor de 1833, ano em que se inventárom as provincias que, mais ou menos, seguem a funcionar agora no Reino da Espanha. A cultura não entende de fronteiras.

Será que na Espanha desapareceu o periodismo de verdade, o periodismo crítico com o sistema, com os valores impostos polo poder? E será, dado que é tão mal aceite qualquer questionamento do statu quo.

Há algumas cousas que a gente não entende. O que é agora não é necessariamente o definitivo e, muitíssimo menos, o melhor. As constituições, os estatutos, som meros papéis redactados por seres humanos, com virtudes e defeitos. Com interesses especialmente. Não se podem justificar acções baseando-se apenas numa carta magna. Também não se pode criminalizar como se está a fazer a dissensão, a divergência, as opiniões distintas do politicamente correcto.

Podo dizer que, pessoalmente, as conversas nas que mais desfrutei fôrom com colegas e companheiros que não partilhavam uma mínima parte das minhas ideias. Mas tinham uma cousa tão importante que tornava em algo sem importância o facto de estarem ou não errados: tolerância.

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Geniais

Payada de la vaca, dos geniais humoristas argentinos Les Luthiers, engenhosos como apenas eles podem ser. E já de passo provo por vez primeira a incrustar um vídeo de YouTube.

A tecnologia é o futuro

Na Universidade há um sistema de rede sem fios para as conexões a internet. Os que temos a sorte de ter computador portátil, levamo-lo para trabalhar (o de jogar é uma ilusão óptica). Sempre pensei que numa Faculdade como é a de Informática teríamos um sistema informático à altura duma Universidade. Crasso erro.

O primeiro que me surpreendeu foi o facto de a conexão sem fios não depender da Faculdade. Ou seja, que no campus temos uma Faculdade de Informática que não trabalha nas redes de informática. E digo eu, os de Arquitectura também não farão os desenhos das novas estruturas? Então para que é que serve a Universidade?

Ainda me surpreendeu mais que um companheiro fosse na procura dos horários à página de Informática na rede (que depende do Centro de Cálculo) e não funcionasse. Vergonhoso. Gente que passa anos e anos da sua vida metido em buratos no chão que som os laboratórios de práticas para, afinal, ficar a fazer chafalhadas. Ou que sejam outros os que as fão, como a rede sem fios.

Também me contárom que a rede funciona em todo o campus com os mesmos dados de conexão, assim que irei estudar à Faculdade de Empresariais. A biblioteca de Informática parece um galinheiro, entre os que falam com o bibliotecário como se o mercado for, gente de caralhada, obreiros a trabalhar em horário de máxima densidade -ou seja, com muita gente a tentar estudar-, e cousas polo estilo. E, no verão, acrescenta-se o facto de não se poder respirar por mor do calor que dentro fai. Um paraíso.

Por todo isto, penso que estaria muito bem destinar menos dinheiro a caralhadas militares e um poucochinho mais a tecnologia. Que os galegos não queremos invadir ninguém. Bem, depende de a quem perguntares, claro.

Domingo, Outubro 22, 2006

Sorte

Há uns meses fum com uma pessoa muito especial ver este filme: Match Point (em inglês Ponto final, na gíria do ténis). Ela gosta muito de Woody Allen, quer como director, quer como actor. E foi que me pegou a sua teima por certo senhor baixinho, feio e paranoico. Desde que vim o primeiro filme, fiquei certamente fascinado por ele. É curioso como comenta os medos e teimas dos seres humanos sem pudor algum.

Ontem, topei-no num quiosque de revistas. Pensei que uns pouco ourinhos por um filme do Allen bem gastos estão. A foto é da capa da versão de quiosque.

O argumento do filme pode resumir-se em que, se chegaste até ao lugar onde estás, não foi de jeito nenhum polo teu esforço, polo teu talento, pola tua criatividade. Foi, unicamente, pola tua sorte. Sei que há muita gente que não estará de acordo com esta visão da vida, mas é preciso contemplá-lo deste jeito: uma pessoa, por muito talento que tiver, depende sempre de que haja uma outra que a valore. Quer dizer, Einstein nunca teria sido nada se não tivesse havido alguém para o valorar. Portanto, se chegou ao lugar na História que hoje ocupa foi, além (obviamente) da sua grandeza como físico, da sua sorte. A sorte está em toda a parte.

Porém, a minha particular visão atomista do mundo fai com eu plantejar isso que Allen chama sorte como a manifesta incapacidade do ser humano para controlar tudo. Ou seja, as condições para um sucesso ocorrer estão aí. O problema é podermos manipulá-las segundo os nossos interesses. Quando Allen di através duma voz em off nos primeiros segundos do filme que, às vezes, no ténis, a bola dá um golpe na rede e, por uns segundos, fica no ar entre os dous campos, fala da sorte como causa e razão de a bola cair num campo ou noutro, de ganhar ou perder.

Essa sorte não é mais que o desconhecimento de certas leis que regem o mundo, da física. Associar este feixe de razões desconhecidas a algo, causa e efeito dos nossos logros e fracassos é, segundo o meu ponto de vista, tentar sempre culpar "outros" do que nos ocorre. Do mesmo jeito é que se fala dum ser superior (ou vários, depende do lugar) para explicar os acontecimentos da vida. Culpa-se este ser superior do bom e do mau. Como se não existisse o motu proprio das pessoas. Como se nom fossem responsáveis dos seus actos.

O facto de dependermos em muitos casos disso chamado sorte, deus, estrela, anjo guardião... é como pretender que a responsabilidade não existe. Não existe, portanto, a relação causa-efeito.

Também se pode ver como que a sorte é algo criado por cada um. Cada pessoa fai como um imã que atrai as cousas boas ou más, em função dos seus actos, do seu jeito de agir e reagir, do seu modo de ver a vida. Uma pessoa que é violenta tem muitas possibilidades de levar uma hóstia numa liorta e acabar mal.

Ou pode que a sorte seja um invento. Se é que a sorte não existe, teremos então de nos esforçar para criarmos o nosso futuro. Sem destinos pré-fabricados por um ente imaterial, do que nunca teremos provas. Sem estrelas, boas ou más. Sem anjos guardiões. Sem sorte. Com coragem e força. Com interés e perseverância. Para os mais castiços: com colhões.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Ameaça


Se alguém topar algum símbolo nesta foto, que mo faga saber. Está colhida desta página, que tem vários sistemas de imagens por satélite, um deles o da NASA, donde tirei esta imagem. Está bem facilinho.

Surpresas da Universidade

Vivemos num mundo surpreendente. Moro na Galiza, vou a uma Faculdade baptizada em galego fazendo uma carreira de nome galego... e tenho todas as aulas em castelhano (espanhol para os galizaceives). Ou seja, diversos políticos do Pp (mesmo do psoE) queixam-se do retrocesso que está a sofrer a língua de Cervantes, e eu sem poder fazer a minha carreira em galego. Surpreendente.

Estava com um companheiro a aguardar polo professor de práticas duma cadeira de programação, quando vemos entrar o indivíduo em questão: um homem novinho, arredor de vinte e muitos ou trinta anos. Temos nós uma terra estranha, onde te afás lenta mas inexoravelmente a certos costumes forçosos. O meu companheiro e eu pensámos (ou dimos por facto) que o homem ia falar castelhano. Eis uma situação estranha: não o fizo. Falou em galego.

A cousa perde força se comento que, cada vez que este professor abre a boca, Rosalia, Pondal, Curros e o resto da família dão voltas na tumba. É mais: o Panteón de Gallegos Ilustres deve de ter os cimentos desgastados polo movimento dos defuntos que lá ficam.

De qualquer jeito, não deixa de ter mérito que um rapaz novo, pudendo passar olimpicamente (comportamento maioritário), faga o esforço de se exprimir na língua da nossa terra. E tem mérito polo comportamento dos seus companheiros do professorado. Podes perceber em apenas uns minutos se uma pessoa é galega, embora fale castelhano, por certas particularidades do portunhol ou castrapo que a maioria ignora falar. Os típicos fuera, comiera, tengo ido, tienes visto... delatam uma pessoa com um forte substrato cultural galego a tentar exprimir-se em castelhano. Obviamente sem o conseguir totalmente. Aplicando esta análise à língua dos meus professores decato-me de que a imensa maioria som galegos... que falam portunhol.

Aguardo pacientemente que mude a situação.

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

A fedelhar

Ouvim (ou lim? Não sei) o outro dia que os administradores deste servidor de blogues estão a convidar aleatoriamente alguns usuários a provar o novo serviço, em fase Beta (o que quer dizer que pode ter erros). E foi que, cambiando algumas das opções do blogue, topei uma invitação dessas. Lá fum.

Levo já vários dias a provar o que me oferecem. Entre outros, tem um sistema WYSIWYG (What You See Is What You Get) que fai muito mais singlelo ubicar os objectos na página. Já não é necessário começar a foçar no código-fonte, muitas vezes sem saber o que fás. Achega-se mais ao que deve ser um sistema amigável.

Também estou a pôr ligações aos blogues dos meus. A verdade é que vos tinha muito esquecidos. Desculpas.

Os blogues velhos também têm ligação, mais que nada porque fôrom muitas horas investidas nelas no seu momento, embora já não me apeteça seguir a trabalhar neles.

Mais nada. Quando houver mais câmbios já os porei.