Sábado, Novembro 25, 2006

Humor do programador

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Sexta-feira, Novembro 24, 2006

A razão da força

Para os que ainda pretendem convencer-me de que vivemos numa democracia, cá vai a carta de dous galegos detidos em 21 e 22 de Novembro. Ou seja, em Terça e Quarta-feira desta semana.

CARTA DOS DOUS JOVENS ESTUDANTES DA USC DETIDOS E TORTURADOS EM 21 E 22 DE NOVEMBRO

Ante a gravidade dos factos acontecidos na capital de Galiza entre os dias 21 e 22 de Novembro, Aurélio Lopes e Iago Barros, detidos e torturado, queremos relatar o seguinte:

1) Efectivos antidistúrbios coordenados para defender da ira popular internacionalista a charla do ex-ministro dos Asuntos Estrangeiros do Estado terrorista de Israel detivêrom-nos irregularmente a propósito de presuntos actos de desobediência e injúrias à autoridade.

Minutos antes de começar a convocatória dumha concentraçom de protesto diante do prédio da Aula socio-cultural da Caixa Galicia onde Shalom Ben-Ami haveria dar umha conferência, dous agentes solicitárom o deslocamento dum carro para a nossa detençom alegando:

a-Ter sido chamados "terroristas" por um de nós. Várias testemunhas presentes defendérom-nos conhecendo que tal feito nunca tivo lugar.

b-Desobediência à autoridade por requerirmos umha justificaçom no momento em que, sem razom algumha, se dirigírom a nós para solicitar-nos identificaçom. Esta petiçom, realizada dum jeito intimidatório e prepotente antes inclusive de ter começado a concentraçom, seria a seguir satisfeita, motivo que nom saciou a sede repressora dos membros da Polícia espanhola.

2) Aproximadamente 20 minutos depois, fomos introduzidos numha carrinha policial compelidos por umha violência desproporcionada em que participárom umha dúzia de efectivos. Estes, arrastando-nos e agredindo-nos com patadas, forçárom-nos sem mediar palavra a penetrar no veículo. Antes de consegui-lo, Iago Barro foi brutalmente violentado nos seus genitais ao sofrer umha enorme pressom por umha mao policial, enquanto Aurélio Lopes era espancado e agredido com um cacete com que tentárom forçar-lhe o ano.

3) Umha vez trasladados à escuadra policial, três policias fechárom o garagem no qual se detivera o veículo, deixando-nos ao "cuidado" de três agentes, entre eles os dous que levavam o carro. Após saírmos do veículo, Iago Barros foi deliberadamente espancando com dous fortes golpes de cacete no lombo e as nádegas, enquanto transcorria o primeiro "cacheio" a que fomos submetidos. O maior dos polícias presentes tivo de intervir exigindo o seu companheiro que se tranquilizasse.

4) Levados à ante-sala dos calabouços, na qual aguardamos quase 5 horas sem ser informados sobre a nossa situaçom, fomos postos baixo vigiláncia, alternativamente desenvolvida por um ou dous agentes.

Passadas duas das 5 horas referidas, o polícia antidisturbios que provocou a nossa detençom no centro de Compostela baixou a "visitar-nos". Ante esta inesperada e agressiva apariçom e, em previssom do que puder ocorrer, os agentes encarregados de custodiar-nos abandonárom cobarde e cumplicemente a sala.

A "intervençom" desta auténtica besta supujo que Aurélio Lopes fosse agitado e insultado, trás o qual o agresor se dirigiu a Iago Barros, a quem propinou três punhadas na cabeça com a mao direita, a qual enfundara previamente numha luva de lá, mantendo ao descoberto a mao esquerda, o que pode dar ideia da intençom com que acudiu onda nós. Acompanhando a gesta de horror com insultos e ameaças consistentes em frasses como "enséñame ahora la lengua que te la troceo" ou "esta noche la vais a pasar en los calabozos. Iré a visitaros para meteros un cuerno por el culo. Preparaos". Ao abandonar o soto, e acreditando a natureza política das agressons, chamou-nos "desgraciados, bobos, terroristas".

5) Sobre as 22,30 horas, após o sofrimento padecido, e ante os flagrantes danos causados em genitais, costas, nádegas e cabeça, decidimos solicitar atençom médica para Iago Barros Aliás, solicitamos o Habeas Corpus devido ao intolerável procedimento da detençom seguido pola Polícia espanhola em todo o momento, interpretado ao ritmo de falsidades, insultos, ameaças e agressons.

Se a primeira petiçom foi demorada até as 2 da madrugada, a segunda foi denegada polo juíz, que nom achou irregularidades no procedimento.

6) Um de nós, a tratamento médico crónico de dous órgaos vitais, dirigiu-se à polícia com a finalidade de lhe ser facilitada a medicaçom precisa. A reacçom, semelhante às anteriores, foi afirmar que "isso fai-se num momento". Duas horas depois ninguém perguntara sequer qual era a medicaçom necessária, malia a nossa permanente insistência sobre este aspecto.

A medicaçom, solicitada às 22.30 para ser tomada às 23 horas, foi facilitada de jeito incompleto por serviços hospitalários às 03.30 da madrugada.

7) Finalmente informados, por volta das 01.00 horas da madrugada da nossa situaçom de detidos em qualidade de 4 delitos atribuídos (danos, desordens públicas, resitência à autoridade e atentado), fomos internados em calabouços, onde permanecemos a noite toda até às 09.00 da manhá sermos despertados para falar com o advogado e passar a instruçom.

Dito o qual, Aurélio Lopes e Iago Barros desejamos pôr em conhecimento de todo democrata galego a detençom irregular de que fomos vítimas e, particularmente, a tortura impingida durante o tempo que estivemos custodiados pola polícia.

Achamos doloroso termos sido sujeitos passivos de violaçons tam brutais mas, ante todo, achamos intolerável que na Galiza do século XXI, uniformados espanhóis se dignem a torturar em dependências da Polícia espanhola jovens galegos pola sua condiçom política.

Queremos rematar reconhecendo o trabalho mais importante do processo. É esse trabalho que fixo a gente desde o primeiro momento em que fomos levados polo ár. Ainda agora, escrevendo estas linhas, lembramos com emoçom o momento no qual os concetrados e concentradas rechaçárom a violência empregada e berrárom desde a injustiça contra os armados.

Muito obrigado a todas as pessoas que saírom o mesmo dia dos feitos à rua a denunciar o acontecido, a quem se concentrou até a nossa posta em liberdade, a todas as organizaçons e colectivos que tirárom comunicados, e a todas as pessoas que se interessárom por nós.

Agora mais do que nunca decatamo-nos do importante de construirmos um movimento social que ante estes feitos nom tem mais regras das que a democracia.

Por todo isto, apelamos a massa galega comprometida com os direitos fundamentais a tomar nota do relatado e agir em conseqüência.

CONTRA A REPRESSOM, MOBILIZAÇOM!

NENGUMHA AGRESSOM SEM RESPOSTA!

TORTURAS NA GALIZA NUNCA MAIS!

FORA AS FORÇAS DE OCUPAÇOM!!

P.S.: Devido a que os remetentes empregamos um correio particular para difundir a notícia, solicitamos de tod@s @s particulares e colectivos receitores, que encaminhem o texto para mais contactos e assim lograrmos a maior propagaçom. Além disto, sugerimos a possibilidade de ser pendurado o texto em todo o tipo de redes, sem modificaçom algumha (a menos que se quiger traduzir), nom sendo a ocultaçom do rosto das fotos.

Acompanhamos e anexamos fotografias dos hematomas sofridos por Iago Barros.

Muito obrigados.


Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Cidadãos?

Antes das eleições catalãs, os que olhámos a imprensa esses dias, pudemos ver nascer (mais ou menos), crescer e maturar até chegar ao Parlament uma nova força política catalã: Ciutadans - Partit de la Ciutadania (Cidadãos - Partido da Cidadania). Para poder opinar, hei-de me informar, digo eu. A leitura do seu programa eleitoral está a ser entretida, já que, agachado num suposto novo partido dos cidadãos estão os snobes de sempre a dizer que não querem que os obriguem a falar catalão.

No primeiro ponto do seu programa falam do
dret dels ciutadans de Catalunya a recórrer al Defensor del Poble [...] per a defensar els seus drets i llibertats quan aquestes es vegin amenaçades pels poders públics [...] autonòmics, locals o nacionals.
Reclamar este direito é natural, dado que a figura do Defensor do Povo deveria agir realmente e atender as reclamações dos cidadãos se se virem ameaçados nalgum senso por poderes... nacionais? De que nação? Da espanhola, suponho, já que falam de autonómicos (o que eu, por exemplo, nalguns casos, denominaria nacionais. Questão de escolher as palavras). Então reconhecem a existência de uma nação. Nação que, por não ser a catalã, já lhes dá -na teoria- liberdade para se declararem anti-nacionalistas. São anti-nacionalistas, mas reconhecem nações. Não compreendo. Declarar-se anti-nacionalista e não questionar a existência da nación espanhola é um absurdo. É mentir à gente.
Protestam também pola
indefensió que suposa per als ciutadans l'exclusivitat del Síndic de Greuges en la gestió i canalització de les queixes dels catalans sobre l'Administració autonòmica.
Ou seja, que não confiam no Síndic de Greuges, imagino que por pertencer à administração do âmbito da Generalitat, e por isso pedem o direito a recorrer a um funcionário do âmbito estatal (nacional para os anti-nacionalistas). Curioso é que não desconfiem deste funcionário, nem declarem indefensió neste caso. Tanto tem se há um ou vinte funcionários dispostos a escuitar as tuas queixas se não che fão caso (ou se não confias neles, claro). Que se passaria se o Defensor do Povo não escuitasse as queixas contra o governo do Estado em Madrid, como já ocorreu com o Pepê?

Rejeitam a
identificació de Catalunya amb una llengua
e defendem a
llibertat lingüística individual com principi irrenunciable.
Penso que é engraçado questionar as nações do Estado espanhol se identificarem com uma língua quando o próprio Estado tem uma única língua oficial em todo o seu território: a língua de Castela. Isso não se questiona? Uma cousa é agredir as liberdades de cada pessoa, cousa com a que não estou de acordo, mas bem distinto é falar da língua que se vai usar na administração, na documentação oficial, etc. Não penso que seja uma agressão de tipo nenhum exigir a um funcionário que aprenda a língua dos vizinhos para os que vai trabalhar. Se não, haverá que voltar aos grunhidos e os acenos com as mãos. Ou acaso a língua não é para nos comunicar?
E continuam com a pêrola:
Catalunya és una societat bilingüe en la qual el català i el castellà conviuen harmònicament i es complementen com llengües habituals d'ús, enriquint el patrimoni lingüístic i cultural de tots els catalans.
Estou de acordo com que o facto de os cidadãos conhecerem várias línguas enriquece uma sociedade. Porém, dizer que o catalão e o castelhano convivem harmonicamente é uma total hipocrisia. As teses do bilinguismo harmónico aplicadas na Galiza demonstram todos os dias o fracasso dessas mentiras. O galego, tal como se concebe, em convivência harmónica com o castelhano, corre perigo de desaparecer antes de final de século. Não sei o que entenderão estes Cidadãos por harmonia, mas o assassinato que está a levar silenciosamente o galego ao seu passamento não parece muito harmónico.

Rejeitam
qualsevol intent de violentar, des de les instàncies oficials, la llibertat lingüística dels ciutadans en la seva activitat privada, ja afecti aquesta als usos lingüístics en empreses o associacions, la retolació de comerços o l'atenció al client.
Acho que se estão a misturar cousas. Não é o mesmo falar dos usos linguísticos nas empresas e associações no seu âmbito privado, interno, do que falar de rotulação e atenção ao cliente, ambas ligadas à cousa pública. As empresas e associações, na teoria, existem para satisfazer necessidades dos cidadãos. E voltamos ao de sempre: se os cidadãos são catalães, a máxima instituição da que dispõem (a Generalitat) deverá garantir que, se esses cidadãos quiserem ser atendidos na língua da Catalunha, podam fazê-lo. Para algo é a língua própria dos catalães. Se o Estado não o protege em todo o território, será a Catalunha a encarregada de fazê-lo.

Procurarão o
reflex de la realitat social i lingüística de Catalunya en la programació.
Tradução para os ingénuos: além do feixe de canais de televisão em castelhano, estes querem que os de titularitat autonòmica também o fagam. Como todo o mundo sabe, Televisión Española, Antena 3, Telecinco, Cuatro, LaSexta e algum canal mais que haverá por aí são famosos por emitir em línguas distintas do castelhano. Temos de reconhecer, porém, que TVE emite arredor de uma ou duas horas por dia em galego (imagino que também em catalão). Deve de ser um esforço ingente...

Querem eliminar as
subvencions als mitjans de comunicació privats», por erosionar «greument l'autonomia mediàtica i la seva capacitat de crítica al nacionalisme dominant a Catalunya.
Ponhamos as cousas claras: molesta mais que haja subvenções a meios privados ou que esses meios não questionem o nacionalismo catalão? Porque na Galiza essas subvenções servírom precisamente para ocultar descaradamente as desgraças dos governos de Fraga e contar-nos as múltiplas virtudes da nación espanhola, e não vim nenhum destes snobes a criticá-lo. Também eu penso que as subvenções a meios privados são uma trampa, porque provocam um grado de crítica nulo para poder continuar a recebê-las, mas não se pode argumentar o motivo de que não critiquem o “nacionalismo dominante na Catalunha”. Se são independentes, têm as suas opiniões, entre as que pode estar perfectamente o seu apoio à ideologia que for. Outra cousa distinta é que misturem notícias com opiniões, como fão certas emissoras que podem ser acusadas precisamente de nacionalistas espanhóis. E não recebem críticas dos Ciutadans.

Além do comentado até cá, o seu programa inclui pontos nos que falam de segurança, educação, desenvolvimento sustentável, acrescentam medidas económicas que deixam tudo como está e falam também contra a violência machista (denominada com o comum eufemismo de de género).

O que deduzimos deste programa eleitoral? Ciutadans está composto polo mesmo tipo de pessoas que antano podiam fazer parte das filas do Partido Comunista (quem não lembra o Piqué e a Pilar del Castillo, ambos hoje no Pepê), mas com um ponto de vista mais aburguesado. Ou seja, que são os snobes de sempre que não querem falar catalão por imposição. Os que ontem, pola proibição franquista, pediam falar catalão, hoje rejeitam a sua oficialidade e o seu dever de o conhecer ao mesmo nível que o castelhano.

Têm um programa que se centra mais em atacar todo o referente ao nacionalismo catalão, inçado de diversas medidas pseudo-progres, mas sem tocar a economia. E, já se sabe: quem não fala dalgo fai pensar que concorda. Do que se deduz que a economia é algo que não os molesta realmente. Curioso, dado que cada dia há mais pobres e a margem que separa os pobres e ricos é cada vez mais grande.

Ciutadans? Cidadãos? Não seria melhor pontualizar? Cidadãos acomodados? Ou melhor em castelhano: Ciudadanos acomodados: Ciudadanos pijos - Partido de la burguesía.

Projectos

Levo desde há uma semana e pouco a fazer ruído com o acordeão e um dos temas que pratico é o que toca este rapaz. Recebe muitas críticas por tocar com a música de fundo, mas o som que produz está muito logrado. Se o moço é um mentiroso, polo menos a mim, consegue enganar-me. Estou a observar atentamente alguns detalhes do seu jeito de tocar, quer da digitação, quer do uso do fole.

Um dia destes já porei aqui um vídeo meu a tocar. Prometo não fazer ruído.

Sábado, Novembro 11, 2006

Prelúdio

Afinal dei atingido um dos meus sonhos a curto prazo. Comprei um bicho como o da fotografia que fica em baixo.
Quedou pedido para me chegar para a semana. O certo é que um acordeom de cor branca não é uma maravilha para mim. Daí que o escolhesse em preto, muito mais discreto e mais sofrido com os golpes.

Para es interessados, as interessades e os interessadas, o bicho em questão tem 34 teclas no cantante (ou seja, no teclado de piano) e 60 baixos (os botões pretos que se premem com a mão esquerda). Também dispõe de vários registos no cantante (que se escolhem premendo as teclas pretas sobre o teclado de piano. Estes registos servem para cambiar o timbre do acordeom nesse momento).

As teclas do cantante estão distribuídas ao jeito dos pianos actuais, quer dizer, cromaticamente. Uma escala ou um teclado cromáticos têm as suas notas em intervalos de semitons, o que dá muitas facilidades na interpretação.

Os botões do baixo têm uma distribuição distinta: há duas filas de baixos propriamente ditos, e uma, duas, três ou quatro filas de acordes em distintos modos.

Os baixos distribuem-se separados por quintas (ascendentes) na mesma fila, e terças entre um botão da primeira fila e o mesmo na segunda. Por exemplo: o botão central de Dó tem a um lado o de Sol e ao outro o de Fá, enquanto o botão da mesma coluna situado na segunda fila é o de Mi.

As filas de acordes também têm as suas notas separadas por quintas, mas a relação entre os botões duma mesma coluna não é como nos baixos. A primeira fila de acordes tem os equivalentes Maiores dos baixos da primeira fila. Ou seja, o botão na mesma coluna que o Dó dá o acorde de Dó Maior.
A segunda fila tem os equivalentes menores, polo que o botão na mesma coluna que o Dó soará como Dó menor.
A terça fila tem os acordes da Dominante, que são os que, junto com a tríada Maior, soa a nota Dominante ou Quinta da escala. Na escala de Dó, o acorde da Dominante é Dó-Mi-Sol-Sib, sendo Sib a Dominante da escala.
A quarta fila proporciona os acordes diminutos, que são os que, junto à tónica e a terça menor soa a quinta diminuta ou quarta aumentada. Na escala de Dó, Dó-Mib-Solb.