Sair do armário
Levo já um tempo a dar voltas a uma ideia. Cada vez que vejo algum acto de rebeldia sem causa, de vandalismo gratuíto, de violência sem razão (se é que realmente há razões para a violência) volto a pensar no mesmo: a Espanha não soubo sair do armário. A Espanha não soubo sair da ditadura.
O Estado espanhol passou de ter um sistema político autoritário - onde se faziam as cousas por colhões, porque sim, porque doutro jeito che davam uma malheira (no melhor dos casos), deitavam-te ao caldeiro longe dos teus ou, directamente, te matavam - a outro onde é permitido fazer tudo dentro dumas determinadas pautas de convivência. Agora já não devemos ter medo do Estado (que me desculpem os independentistas que levam pancadas sem razão, claro). Agora apenas devemos ter medo de uma turma de filhos da puta nos dar uma malheira por não pensar como eles; o casal nos matar a filha, a irmã ou uma amiga sob o nome de "violência de género"; os alunos nos insultar e vexar o professor de turno, se não os próprios companheiros…
Para isso ansiámos tanto a liberdade durante a longa noite de pedra? Penso que não. Opino que se tanta gente corria diante dos grises não era apenas por esnobismo. Digo eu que algum haveria com um par de ideais no peto, que opinasse que o autoritarismo e a violência não são o único caminho para os seres humanos conviverem.
Por outra banda estão também os que, como a nossa curmã asturiana, devêrom esquecer algo do processo de educação da sua prole, com tristes resultados. E agora eu pergunto: em que errou esta mulher?
Como convenceríamos um adulto formado e com um mínimo de racionalidade de que algo não está bem - refiro-me a algo que pensamos que não está bem, por exemplo, atracar bancos - ? Falando, dialogando, expondo, replicando. Com palavras.
Passemos ao plano irracional. Como convencer um ser irracional de que não deve fazer algo? Com palavras? Não as compreende. Não significam nada, precisamente por ser a racionalidade o que dá significado às palavras.
Ao ler a história da rapaza asturiana, algum pensou "uma boa hóstia a tempo muitos problemas teria arranjado". Os que me conhecem sabem que não são uma pessoa precisamente violenta, mas ao contrário. Porém estou com os que assim pensam. Quando uma pessoa ainda não tem a sua capacidade racional totalmente formada, não é suficiente apenas com marcar umas normas de convivência. Quando é exigido o seu cumprimento, essa mente ainda não formada não entende o significado real dessas normas, e não as toma a sério. Gosto de fazer a comparação entre um ser humano sem capacidade total de racionalizar as cousas e um animal - por exemplo, um gato - muito, muito inteligente. Pode que esta pessoa tenha uma inteligência enorme, mas carece ainda das ferramentas necessárias para a sua mente ser considerada como plenamente racional. Então, repito, como convencer este ser irracional?
Pois, entre outras cousas, não confundindo autoritarismo com autoridade e vice-versa. Estou totalmente em contra das hierarquias e preferiria um sistema em que todos pudêssemos conviver sem um governo que nos ordenasse fazê-lo. Não obstante isso não é aplicável a pessoas que não são ainda capazes de entender quê significa conviver, por quê devemos viver em harmonia ou, dum jeito mais gráfico, por quê não matar o vizinho com um sacho. Para esses casos a autoridade são os pais (na casa) e os professores (na escola). Em casos extremos bem vale um senhor com bata branca.
E, falando de professores, não está demais lembrar essa frase tão querida polos maus pais: os meus filhos vão à escola para os educarem. Não. Para isso estão os pais. Os professores estão para nos ensinar cultura, quer matemáticas, quer língua e literatura, quer o jeito fazer uma autópsia a um verme. Mas para ensinar maneiras e educação, sentindo-o muito, estão os pais.
Que ninguém me entenda por onde não é. Não sugiro em modo nenhum que se utilize a violência de jeito gratuíto, e também não que se justifique com paternalismo ao puro estilo PePiano. O que opino é que não se deve exluir totalmente em casos como o da rapaza. Sei que não é uma ideia politicamente correcta mas, pessoalmente, não me vejo trauma nenhum por ter levado alguma labaçada de criança, nem penso que meus pais se tenham de sentir culpáveis.
Se não for desejado esse trabalho que custa educar um filho, seica inventárom uma espécie de engenho de plástico que fai com os bichinhos esses não passarem. Um preservativo, porra.
O Estado espanhol passou de ter um sistema político autoritário - onde se faziam as cousas por colhões, porque sim, porque doutro jeito che davam uma malheira (no melhor dos casos), deitavam-te ao caldeiro longe dos teus ou, directamente, te matavam - a outro onde é permitido fazer tudo dentro dumas determinadas pautas de convivência. Agora já não devemos ter medo do Estado (que me desculpem os independentistas que levam pancadas sem razão, claro). Agora apenas devemos ter medo de uma turma de filhos da puta nos dar uma malheira por não pensar como eles; o casal nos matar a filha, a irmã ou uma amiga sob o nome de "violência de género"; os alunos nos insultar e vexar o professor de turno, se não os próprios companheiros…
Para isso ansiámos tanto a liberdade durante a longa noite de pedra? Penso que não. Opino que se tanta gente corria diante dos grises não era apenas por esnobismo. Digo eu que algum haveria com um par de ideais no peto, que opinasse que o autoritarismo e a violência não são o único caminho para os seres humanos conviverem.
Por outra banda estão também os que, como a nossa curmã asturiana, devêrom esquecer algo do processo de educação da sua prole, com tristes resultados. E agora eu pergunto: em que errou esta mulher?
Como convenceríamos um adulto formado e com um mínimo de racionalidade de que algo não está bem - refiro-me a algo que pensamos que não está bem, por exemplo, atracar bancos - ? Falando, dialogando, expondo, replicando. Com palavras.
Passemos ao plano irracional. Como convencer um ser irracional de que não deve fazer algo? Com palavras? Não as compreende. Não significam nada, precisamente por ser a racionalidade o que dá significado às palavras.
Ao ler a história da rapaza asturiana, algum pensou "uma boa hóstia a tempo muitos problemas teria arranjado". Os que me conhecem sabem que não são uma pessoa precisamente violenta, mas ao contrário. Porém estou com os que assim pensam. Quando uma pessoa ainda não tem a sua capacidade racional totalmente formada, não é suficiente apenas com marcar umas normas de convivência. Quando é exigido o seu cumprimento, essa mente ainda não formada não entende o significado real dessas normas, e não as toma a sério. Gosto de fazer a comparação entre um ser humano sem capacidade total de racionalizar as cousas e um animal - por exemplo, um gato - muito, muito inteligente. Pode que esta pessoa tenha uma inteligência enorme, mas carece ainda das ferramentas necessárias para a sua mente ser considerada como plenamente racional. Então, repito, como convencer este ser irracional?
Pois, entre outras cousas, não confundindo autoritarismo com autoridade e vice-versa. Estou totalmente em contra das hierarquias e preferiria um sistema em que todos pudêssemos conviver sem um governo que nos ordenasse fazê-lo. Não obstante isso não é aplicável a pessoas que não são ainda capazes de entender quê significa conviver, por quê devemos viver em harmonia ou, dum jeito mais gráfico, por quê não matar o vizinho com um sacho. Para esses casos a autoridade são os pais (na casa) e os professores (na escola). Em casos extremos bem vale um senhor com bata branca.
E, falando de professores, não está demais lembrar essa frase tão querida polos maus pais: os meus filhos vão à escola para os educarem. Não. Para isso estão os pais. Os professores estão para nos ensinar cultura, quer matemáticas, quer língua e literatura, quer o jeito fazer uma autópsia a um verme. Mas para ensinar maneiras e educação, sentindo-o muito, estão os pais.
Que ninguém me entenda por onde não é. Não sugiro em modo nenhum que se utilize a violência de jeito gratuíto, e também não que se justifique com paternalismo ao puro estilo PePiano. O que opino é que não se deve exluir totalmente em casos como o da rapaza. Sei que não é uma ideia politicamente correcta mas, pessoalmente, não me vejo trauma nenhum por ter levado alguma labaçada de criança, nem penso que meus pais se tenham de sentir culpáveis.
Se não for desejado esse trabalho que custa educar um filho, seica inventárom uma espécie de engenho de plástico que fai com os bichinhos esses não passarem. Um preservativo, porra.





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