Castelão e a volta à Pátria
Continuando com o tema do artigo anterior, gostaria de explicar alguma cousinha que se dá por sabida no vídeo, mas que supõe uma peça fundamental para entendermos as circunstâncias daquilo que vemos.Castelão dixera no seu testamento político, Sempre em Galiza, que o seu desejo era voltar à sua Terra, à sua Pátria, unicamente quando ela for livre. Livre para decidir o seu futuro, para ser dona e senhora da sua autodeterminação. Pensemos um minutinho no panorama sócio-político do ano 1984:
- O general Franco finou há apenas cinco anos, tempo insuficiente para cambiar os costumes, quer da população com anseios de revolução, quer da Polícia (los mierdas, na gíria castelã da época) com modos próprios ainda da ditadura.
- O governo de Madrid conta com um partido socialista com uma visão extremadamente centralista do Estado. Por se não fora suficiente, a imagem da Espanha no exterior será novamente identificada com os touros e a cultura andaluza.
- O governo do novo parlamentinho está em mãos da coaligação Alianza Popular, hoje Partido Popular. Para quem não souber, o PP é um partido centralista espanhol, que considera um prémio facilitar o acesso a um posto em Madrid e um exílio fazer política na Galiza. Em troques de servir de instrumento da vontade popular, o parlamentinho está a ser continuadora da mentalidade franquista.
cto se fizo, como um jeito de manipular a memória do finado para utilizar a sua imagem de ícone nacional e tirar proveito. Ainda direi mais, esse pretenso galeguismo do PP está integramente baseado na manipulação de figuras históricas do nacionalismo.Dado que a Galiza, em 1984 e hoje, não contava com os meios para exercer a sua autodeterminação plena, uma parte do galeguismo interpretou a repatriação dos restos de dom Daniel como uma traição. Deste jeito compreendem-se melhor os berros de "A Castelão não se traiciona" [ou, mais jeitoso, "O Castelão não se trai" ] e "Galiza ceive, poder popular" da gente que foi receber esta figura mítica do galeguismo.
Ainda se considera mais traição a utilização da sua figura, da figura dum autodeterminista e reintegracionista como ele, para a criação das Medallas Castelao por parte dum governo que nem reconhece a existência da nossa nação nem a do chamado Estado colonial. É um insulto à memória.
A voz em off, de todos os jeitos, deixa pouco espaço a mais explicações citando o Novoneyra e o próprio Castelão. O certo é que arrepia os cabelos, estremece, turba extraordinariamente, ouvir o clamor, quer da gente lá reunida, quer da periodista quando di: Quando Risco era alguém [...] ensinou a todos que Galiza é uma nação.





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