Ganhadores todos
O facto de o PP ter mais votos não é motivo de vitória para ninguém. O motivo fica em os conservadores espanhóis não serem democratas, não entenderem o que significa "governo do povo". Dado que governar sempre uns sobre os outros apenas constituiria um pobre exercício de despotismo, os representantes dos cidadãos devem pactuar entre eles. O circo mediático que é a democracia espanhola permite com um terço dos votos um partido ter esse demo malparido que se chama maioria absoluta de representantes (isto é, a metade e mais um). Assim, na teoria, os governos são mais estáveis, mais fortes. E eu pergunto: o que se pretende numas eleições? Rapinar o poder? Ou acaso a cousa consistia em o povo governar através de delegados?
Voltando ao facto de o PP não estar conformado senão por fascistas disfarçados e pseudodemocratas conservadores que não têm partido de seu onde meter o cu, a direita espanhola não se sentiria cómoda com uma política de acordos. Lembremos que se consideram depositários da única e real vontade popular (engraçado isso), da defesa dos direitos humanos (não casam homossexuais), do progresso (são conservadores!!), da legitimidade constitucional (num começo contra a constituição actual. Agora parece que a pariram), da democracia (os membros fundadores fôrom ministros da ditadura), da rehóstia (disto são donos absolutos. São a hóstia e gostam de reparti-las).
Portanto, após uma votação, uma assembleia ou parlamento fica com tantos representantes do PP, outros mais ou menos do PSOE e alguns de outros partidos. Tudo cambia em função da vila, cidade ou país, mas em quase todos existe um facto constante: o PP não tem com quem pactuar. É razão de vitória ficar só em todas as câmaras de representantes? De que serve ser a candidatura mais votada se não há vontade de acordo?
O PSOE, que não é em absoluto santo da minha devoção, mantém não obstante um espírito muitíssimo mais aberto. Daí que podam governar a Junta da Galiza, as câmaras municipais de Vigo, Crunha, Ferrol, Cambre, Colheredo, Ourense, Lugo e um longo etcétera sem necessidade desse engendro antidemocrático da maioria absoluta (melhor dito absolutista). Sem necessidade de se impor. E, sobretudo, com necessidade de pactuar. Com necessidade de falar.




