Houston: temos um problema
A Espanha(1) tem um problema. É uma terra onde uma pessoa pode ter estudos, cultura, saber estar, uma certa inteligência, sentidinho(2)... e dizer cousas do mais surpreendente. Às vezes tenho a sensação de ser um europeu no Japão, já que os costumes de um lugar tão afastado nunca deixarão de me produzir curiosidade e surpresa.
A Espanha(3) tem a capacidade de produzir um tipo de cidadão digno de ser observado por doutores em Medicina, Psicologia, Ciências Ocultas, Ciências das Outras e parte do estrangeiro. Para uma pessoa como eu, nunca criada em dogmas e sim com um pai desses chatos que levam sempre a contrária por desporto(4), não é normal que uma pessoa séria, culta, dialogante, pessoa, defenda a abolição da pena de morte e, sem ruborizar-se, diga que desfruta do assassinato de um animal, nisso que denominam tauromaquia para lhe dar um ar culto, mas que é chamado de toureio. Não o compreendo. E as respostas são dignas dos Arrepios(5): «é costume», «é tradição», «é arte» (esta é das melhores), «é cultura»... Depois alucinam quando sabem que polo mundo adiante comem cães ou gatos, e soltam pérolas do estilo «eu não seria capaz».
Na política há também uma conclusão a que chega muita mente preclara(6) e também não acabo de lhe pegar o senso. A Espanha(7) acaba, como quem di, de sair de uma ditadura das mais longas da Europa do século XX, se não a mais longa de todas. Parece que essa longa noite de pedra(8) afectou demais os espanhóis. Para um destes indivíduos entram na mesma saca as expressões «Estado democrático» e «ilegaliza-me esses filhos da puta»(9). Ou seja, vem como algo normal numa democracia(10) haver partidos legais e partidos ilegais. Também vem como algo normal deitar a opção de mais de cem mil pessoas à cuba do lixo. Assim como se lê: cem mil pessoas ficam sem poder votar a opção que desejam.
Não estamos a falar de dous ou três moinantes. Num suposto assim o governo de turno podia metê-los presos e deitar a chave. Não seria justo mas efectivo. O problema (para eles) é que o assunto basco não vai ser solucionado a base de acções policiais-clericais(11). Que exista nalgumas pessoas o sentimento de serem invadidos dá uma ideia da futilidade de tais acções. É complexo mas é assim.
O problema não fica aí. Em Euscádi(12) vivem actualmente num estado de excepção. Estão fartos tanto as vítimas dos assassinos quanto as vítimas dos torturadores. Naquele país expressar algumas opiniões dá-che amigos e inimigos instantaneamente. Curioso lugar onde, nas últimas eleições municipais(13), fôrom ilegalizadas candidaturas da Esquerda Abertzale(14). Há situações tão absurdas(15) como a de Lizartza, que em 2004 contava com 612 habitantes e cuja presidenta da Câmara Municipal foi escolhida por 27 votos. A vila era considerada «feudo da esquerda abertzale» até as passadas eleições. Desde outros lugares a presidenta é vista como uma heroína...
É curioso como os problemas se complicam conforme os temos mais perto.
Notas:
A Espanha(3) tem a capacidade de produzir um tipo de cidadão digno de ser observado por doutores em Medicina, Psicologia, Ciências Ocultas, Ciências das Outras e parte do estrangeiro. Para uma pessoa como eu, nunca criada em dogmas e sim com um pai desses chatos que levam sempre a contrária por desporto(4), não é normal que uma pessoa séria, culta, dialogante, pessoa, defenda a abolição da pena de morte e, sem ruborizar-se, diga que desfruta do assassinato de um animal, nisso que denominam tauromaquia para lhe dar um ar culto, mas que é chamado de toureio. Não o compreendo. E as respostas são dignas dos Arrepios(5): «é costume», «é tradição», «é arte» (esta é das melhores), «é cultura»... Depois alucinam quando sabem que polo mundo adiante comem cães ou gatos, e soltam pérolas do estilo «eu não seria capaz».
Na política há também uma conclusão a que chega muita mente preclara(6) e também não acabo de lhe pegar o senso. A Espanha(7) acaba, como quem di, de sair de uma ditadura das mais longas da Europa do século XX, se não a mais longa de todas. Parece que essa longa noite de pedra(8) afectou demais os espanhóis. Para um destes indivíduos entram na mesma saca as expressões «Estado democrático» e «ilegaliza-me esses filhos da puta»(9). Ou seja, vem como algo normal numa democracia(10) haver partidos legais e partidos ilegais. Também vem como algo normal deitar a opção de mais de cem mil pessoas à cuba do lixo. Assim como se lê: cem mil pessoas ficam sem poder votar a opção que desejam.
Não estamos a falar de dous ou três moinantes. Num suposto assim o governo de turno podia metê-los presos e deitar a chave. Não seria justo mas efectivo. O problema (para eles) é que o assunto basco não vai ser solucionado a base de acções policiais-clericais(11). Que exista nalgumas pessoas o sentimento de serem invadidos dá uma ideia da futilidade de tais acções. É complexo mas é assim.
O problema não fica aí. Em Euscádi(12) vivem actualmente num estado de excepção. Estão fartos tanto as vítimas dos assassinos quanto as vítimas dos torturadores. Naquele país expressar algumas opiniões dá-che amigos e inimigos instantaneamente. Curioso lugar onde, nas últimas eleições municipais(13), fôrom ilegalizadas candidaturas da Esquerda Abertzale(14). Há situações tão absurdas(15) como a de Lizartza, que em 2004 contava com 612 habitantes e cuja presidenta da Câmara Municipal foi escolhida por 27 votos. A vila era considerada «feudo da esquerda abertzale» até as passadas eleições. Desde outros lugares a presidenta é vista como uma heroína...
É curioso como os problemas se complicam conforme os temos mais perto.
Notas:
- Conceito abstracto utilizado quando se quer fazer referência aos países do Estado espanhol sem exclusões nem menções específicas. Que não me comam os indepes da retórica revolucionária.
- Aquilo que fora da Galiza costuma chamar-se de sentido comum, que, por outra banda, é o menos comum dos sentidos.
- Que sim: utilizarei essa palavra em troques do cansativo Estado espanhol.
- Outros fão a quiniela. O meu pensa de jeito oposto ao meu. Ou será ao revés? Cria corvos...
- Para os leitores residentes no Estado espanhol (agora sim!): Pesadillas.
- Não produz uma sensação curiosa isso de chamar atrasado mental sem que se note? Adoro ser galego!
- Deixa de olhar as notas e concentra-te no texto, que para isso é que o escrevo.
- Sim, eu também lim clássicos da literatura galega.
- Também é compatível para alguns demandar um referendum no Saara para decidir sobre a sua autodeterminação enquanto negam qualquer possibilidade de fazê-lo nalgum país do Estado espanhol. Spain is different.
- Ou isso que nos fão ver como democracia. Os significados cambiam conforme ao governo.
- Quer dizer, a base de hóstias.
- País Basco, Euskal Herria (se inclui Nafarroa/Navarra), Euskadi, provincias vascongadas... será por nomes.
- Ou autárquicas, para os lusófonos-não-galegos.
- Esquerda independentista basca.
- Ou descaradamente injustas.





2 comentário(s):
Agregueite a minha lista de bloges amigos, por certo moi interensate o artigo sobre o "escudo" da Galiza.
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somoslosplatero.blogspot.com
PLATERO Y TÚ
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